FPF desembolsa mais 700 mil euros à Segurança Social no caso Fernando Santos
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) acaba de reforçar os cofres do Estado. Segundo o apurado pela Misryoum, foram pagos mais 700 mil euros à Segurança Social, um montante que eleva a fatura total deste polémico caso para os 3,3 milhões de euros. É um valor pesado, sem dúvida, mas parece ser o preço de tentar limpar — ou pelo menos organizar — o passado recente da gestão federativa.
Tudo gira em torno dos contratos assinados pela anterior administração da FPF com a empresa Femacosa. A estratégia era clara na época: utilizar a empresa para canalizar os pagamentos a Fernando Santos. Na prática, isso permitia que se pagasse IRC, uma taxa significativamente mais baixa do que o escalão de IRS que o ordenado do treinador, o homem que nos deu o Euro 2016 e a Liga das Nações, deveria comportar. Uma manobra que, enfim, deu no que deu.
É estranho pensar como estas coisas passam despercebidas durante tanto tempo, não é? O cheiro a café velho na redação da Misryoum distrai-me um pouco, mas o facto permanece: em janeiro, a notificação da Segurança Social forçou uma liquidação inicial de 2,6 milhões de euros, relativos ao período entre o final de 2021 e 2022. Agora, esses 700 mil euros que foram injetados referem-se estritamente aos juros de mora acumulados.
Mas a história não termina aqui. De acordo com o que foi partilhado pela Misryoum, ainda existem coimas por definir. Ou seja, o montante final será, muito provavelmente, ainda mais alto do que estes 3,3 milhões já desembolsados. A FPF admitiu que há valores por contabilizar, o que deixa o caso num limbo desconfortável — um processo que se arrasta e que vai consumindo recursos que, talvez, pudessem ser aplicados noutras áreas do futebol nacional.
Fernando Santos, o arquiteto daquelas vitórias épicas, encontra-se agora envolvido nesta teia fiscal que, convenhamos, ninguém deseja ter no currículo. Fica a dúvida sobre se esta regularização encerra de vez o assunto ou se ainda veremos novos capítulos desta novela jurídica nos próximos meses. Provavelmente, haverá mais notícias. Ou talvez não. Vamos esperar para ver.