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Japão: sobretaxas de combustível sobem nas companhias aéreas

A ANA e a JAL anteciparam sobretaxas de combustível mais altas, citando a subida do preço do petróleo após a guerra no Irão.

A subida do preço do petróleo voltou a bater nas contas das viagens: no Japão, as principais companhias aéreas ajustaram as sobretaxas de combustível, com impacto direto nos valores a pagar pelos passageiros.

A All Nippon Airways (ANA) e a Japan Airlines (JAL) começaram esta sexta-feira a aplicar sobretaxas mais elevadas. As medidas, inicialmente previstas para junho, foram antecipadas devido à volatilidade do mercado, conforme comunicados divulgados no final de abril pela Misryoum.

No caso da ANA, as rotas que ligam o arquipélago a regiões como a Europa, a América do Norte, o Médio Oriente e a Oceânia passam a ter uma sobretaxa de combustível que aumenta 75,55%. O acréscimo sai de 31.900 ienes, valor aplicado até agora, para 56 mil ienes.

Já a JAL indicou que, para essas mesmas ligações, a sobretaxa sobe para 56 mil ienes, o que representa um aumento de 93,1% face ao preço anterior. A percentagem fica em linha com a lógica aplicada a outros destinos, como Tailândia ou Índia, segundo a informação divulgada.

Neste contexto, a decisão das companhias mostra como até mudanças de mercado que parecem distantes podem chegar rapidamente ao preço do bilhete.

A situação no Japão insere-se numa tendência mais ampla na Ásia, onde muitas empresas dependem de combustível importado e ficam expostas às oscilações associadas aos conflitos no Médio Oriente. A Misryoum salienta que outras rotas e mercados da região já vinham a refletir esse efeito.

A China, por exemplo, registou aumentos acentuados nas sobretaxas desde abril. Nesse período, companhias sul-coreanas anunciaram o início da aplicação do nível mais elevado, enquanto a Indonésia comunicou, no início de abril, um aumento de 28% na sobretaxa associada ao conflito.

As consequências tendem a repercutir-se também na forma como as empresas ajustam custos e preços. Quando o combustível pesa de forma significativa na operação, qualquer variação relevante no mercado internacional pode obrigar a atualizações frequentes das sobretaxas.

Para o viajante, estas alterações traduzem-se num detalhe importante na hora de planear e comparar ofertas. E, para a indústria, reforçam a necessidade de acompanhar o preço do petróleo para reduzir surpresas nos custos.

No fim, a mensagem é clara: as sobretaxas de combustível deixam de ser um valor “fixo” e passam a acompanhar o ritmo da instabilidade internacional, num efeito que se sente tanto nos balanços das companhias quanto no bolso de quem compra viagens.

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