Governo federal lança campanha por fim da escala 6×1

Misryoum informa que o governo federal lançou campanha para encerrar a escala 6×1 e ampliar descanso, sem redução salarial.
O debate sobre a escala 6×1 ganhou força nesta semana com o lançamento de uma campanha federal defendendo o fim desse modelo de jornada.
A iniciativa, divulgada pelo governo no domingo (3), traz o slogan “Mais tempo para viver.. Sem perder salário.. Porque tempo não é um benefício.. É um direito” e será veiculada em diferentes meios, incluindo canais digitais, televisão, rádio, jornais, cinema e imprensa internacional.. Para a equipe do governo, o foco é envolver tanto empregados quanto empregadores na discussão sobre vida fora do trabalho, com mais tempo para descanso e lazer.
Nesse contexto, a proposta tenta deslocar o tema do “quanto se trabalha” para “como se vive”, algo que costuma mexer com rotinas, acordos e planejamento das empresas.
O lançamento ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhar ao Congresso um projeto de lei para alterar a organização da jornada, com a garantia de que não haveria redução salarial.. O governo sustenta que a campanha busca orientar a mudança e reforçar a ideia de que tempo livre não deve ser tratado como vantagem, e sim como direito.
Segundo o que o Misryoum apurou a partir do posicionamento apresentado, o Ministério do Trabalho e Emprego estima que 37,2 milhões de trabalhadores tenham jornadas acima de 40 horas semanais, e que cerca de 14 milhões atuem na escala 6×1.. A justificativa oficial é que uma distribuição diferente do tempo de trabalho pode melhorar a qualidade de vida, fortalecer vínculos familiares e reduzir efeitos na saúde.
Na prática, quando a discussão chega ao cotidiano, ela tende a impactar desde horários e escalas até o ritmo de setores que dependem de cobertura contínua.
O projeto em tramitação prevê redução da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas, inclusive em escalas especiais, mantendo 8 horas diárias.. Também amplia o descanso semanal remunerado para dois dias, preferencialmente aos sábados e domingos, e veda qualquer redução salarial ou mudanças em pisos.. A proposta consolida o modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.
Embora avance para um novo padrão, o texto admite ajustes por meio de acordos coletivos e mantém a possibilidade de escalas diferenciadas, como a 12×36, desde que respeitado o limite de 40 horas semanais.. A abrangência inclui categorias regidas pela CLT e leis específicas, como domésticos, comerciários, aeronautas e radialistas.
Além do projeto de lei, o Congresso analisa duas propostas de emenda à Constituição (PECs) ligadas ao tema.. Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), propõe trocar a escala 6×1 por um modelo 4×3, com até três dias de folga por semana.. A segunda, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê reduzir a carga semanal de 44 para 36 horas.
O que está em jogo não é apenas uma escolha técnica de jornada, mas a disputa entre produtividade, custos e bem-estar, que costuma dividir interpretações sobre o impacto econômico das mudanças.
Apesar de haver apoio popular ao fim da escala 6×1, o debate enfrenta resistência, especialmente no setor produtivo, que teme efeitos sobre desempenho e lucratividade.. Mesmo assim, com a tramitação em andamento e a mobilização em torno do tema, a campanha oficial sinaliza que a discussão tende a ganhar ainda mais espaço nos próximos passos do processo legislativo.