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Raimundo aponta temor no MPLA e limpeza de Lourenço

Segundo o jurista, muitos membros do Bureau Político “apoiaram incondicionalmente” a recandidatura de João Lourenço à liderança do MPLA, apesar de, alegadamente, não concordarem com o actual rumo político do partido.

“Há muitos militantes do MPLA, dirigentes do MPLA, que estão naquela reunião do Bureau Político, que apoiaram incondicionalmente a recandidatura de João Lourenço à liderança do partido, que não estão de acordo, mas têm medo de dizer a verdade”, afirmou.

Durante a sua intervenção, Sérgio Raimundo recorreu a referências filosóficas atribuídas a Karl Marx para sustentar a ideia de que as relações políticas são frequentemente condicionadas por interesses diversos, não apenas materiais, mas também de natureza pessoal e emocional.

O advogado defendeu ainda que a preparação para a continuidade de João Lourenço na liderança do MPLA começou logo após o congresso de 2018, realizado depois da substituição de José Eduardo dos Santos na presidência do partido.

De acordo com Raimundo, desde então foram sendo criadas condições políticas e estatutárias para consolidar o controlo interno da estrutura partidária.

“Ele começou a preparar o terreno para a sua recandidatura e manutenção na liderança do MPLA logo após o Congresso de 2018”, afirmou.

O jurista revelou ainda ter analisado, nos últimos dias, diversos documentos internos do MPLA, incluindo estatutos, regulamentos e regimentos da Comissão Nacional Preparatória, considerando preocupante a evolução política e organizativa do partido.

“Cada dia que leio e releio esses documentos, fico mais assustado em relação ao futuro deste país”, declarou.

Sérgio Raimundo acusou igualmente João Lourenço de ter promovido uma “limpeza” nos órgãos directivos do MPLA após assumir a liderança do partido, afastando figuras históricas ligadas ao consulado de José Eduardo dos Santos, alegadamente para evitar oposição interna.

Entre os nomes mencionados por Sérgio Raimundo estão António França ‘Ndalú’, Dino Matross e Francisco Magalhães Paiva ‘Nvunda’, antigos membros influentes do Bureau Político do MPLA.

O jurista criticou igualmente a renovação dos órgãos dirigentes do MPLA, alegando que muitos dos novos integrantes não possuem independência política e funcionam apenas como suporte da actual liderança.

“Introduziu umas crianças no Bureau Político, que é claque dele.

Isto é uma vergonha”, declarou.

Durante o debate, Sérgio Raimundo revelou preocupação com o futuro político do país, afirmando que a leitura recente dos estatutos, regulamentos e documentos internos do MPLA o deixou “assustado” relativamente à evolução da organização e das suas implicações para Angola.

“Eu sinto-me envergonhado por tudo o que está a acontecer no MPLA”, afirmou, acrescentando que dedicou parte da sua juventude à defesa dos ideais fundadores do partido, os quais, segundo disse, já não se reflectem na actual condução política da organização.

As declarações reacendem o debate sobre a democracia interna no MPLA, a renovação das estruturas partidárias e o espaço para opiniões divergentes no seio do maior partido político angolano.

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