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Contrabando do Paraguai gera lucros de 507% para o crime

Estudo do IDESF revela que o contrabando na fronteira entre Brasil e Paraguai movimenta R$ 60 bilhões anualmente, impulsionado por discrepâncias tributárias.

O contrabando de produtos do Paraguai para o Brasil movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano e se tornou uma das atividades mais lucrativas do crime organizado no país, segundo estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, o IDESF.. Em entrevista ao News Domingo , do SBT News , o presidente do instituto, Luciano Barros , afirmou que o avanço do mercado clandestino é resultado de um processo de anos.. Segundo

Barros, a principal explicação está na diferença de impostos e regras entre os dois países.. “As principais âncoras disso, quem sabe, sejam essa assimetria tributária entre os países, que nós não conseguimos acertar via diplomacia, via Mercosul”, disse.. O presidente do IDESF afirmou que a fronteira extensa entre Brasil e Paraguai facilita a circulação dos produtos ilegais .. São cerca de 1.600 quilômetros de fronteira, com trechos secos e fluviais, em regiões muito próximas de

grandes mercados consumidores brasileiros.De acordo com o estudo, as margens de lucro das organizações criminosas podem passar de 500%, especialmente no caso do cigarro .. “Quem não gostaria de ter 507% de lucro na venda dos seus produtos?” O cigarro continua no topo da lista de produtos contrabandeados , impulsionado pela diferença de tributação.. Segundo o entrevistado, enquanto o imposto sobre o cigarro no Paraguai é de 16%, no Brasil chega a quase 90%.. Barros

também afirmou que o crime organizado passou a usar rotas já consolidadas pelo contrabando para ampliar sua atuação.. “O contrabando emprestou para o crime organizado uma logística extremamente eficiente”, disse, acrescentando que, em troca, o crime levou “toda a violência” das facções para esse mercado.. Para o presidente do IDESF, o impacto vai além da segurança pública e atinge diretamente a economia formal.. Ele citou perdas de arrecadação, prejuízo a empresas legalizadas e efeitos sobre

setores como tabaco, bebidas, celulares, eletroeletrônicos, informática e agroquímicos.

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