Câmara de Gaia e Lusa em conflito sobre concursos públicos
A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia criticou duramente uma notícia da Lusa sobre a gestão de concursos públicos, classificando-a como manipuladora, enquanto a agência defende o seu rigor.
A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia reagiu, em comunicado, com dureza à informação divulgada pela Lusa sobre a anulação de concursos para a contratação de 136 funcionários e a abertura de 93 vagas para cargos de direção e chefia, acusando a agência noticiosa de promover uma “lastimável, mentirosa e reles tentativa de manipulação”.. Na nota divulgada, a autarquia gaiense acusa a Lusa de procurar “induzir no leitor o que seria o ‘escândalo’ de
uma gestão municipal que renegava a entrada nos quadros da Câmara de mais de uma centena de jovens à procura do seu primeiro emprego para, em contrapartida, dar 93 ‘tachos’ com altos ordenados a amigos do Poder”.. Em causa está uma informação da Lusa segundo a qual a autarquia anulou concursos para a contratação de 136 trabalhadores, incluindo bombeiros sapadores, assistentes técnicos, assistentes operacionais e técnicos superiores, e avançou com procedimentos concursais para 93 cargos
de direção e chefia intermédia.. A autarquia sustenta que a leitura feita na notícia resulta de uma associação “errada” entre os dois processos.. No que respeita à anulação dos concursos para 136 postos de trabalho, o executivo afirma que a decisão teve como objetivo “poupar orçamentalmente a Câmara num primeiro ano de mandato” e enquadrar uma futura reorganização dos recursos humanos municipais.. Já sobre os procedimentos concursais para cargos de direção intermédia e chefias, o
município garante tratar-se de processos de regularização de funções já desempenhadas internamente, sublinhando que “mais não é do que, cumprindo a lei”, a realização de provas de avaliação de competências a trabalhadores que já exercem funções na estrutura municipal.. No mesmo comunicado, a Câmara de Gaia acusa a Lusa de exercer “um profissionalismo que insiste no homicídio frio de uma profissão, a de jornalista, muito digna e que não merecia estar a ver o seu
prestígio e credibilidade serem dizimados de uma forma desavergonhada e baixa”.. Lusa preocupada com a repetição de casos A Direção de Informação da agência Lusa reagiu, esta sexta-feira, ao ataque de que foi alvo numa nota em que repudia as acusações feitas pelo executivo camarário.. A agência refere que a notícia se baseou “exclusivamente em informações publicadas em Diário da República” e que, como é prática habitual, foi dada à Câmara oportunidade de se pronunciar
sobre os factos noticiados, o que “não foi aceite”.. A Lusa sublinha ainda a “estranheza” perante o facto de o conteúdo da notícia poder ser qualificado como “tentativa de manipulação”, quando se limita a reproduzir informação oficial publicada em Diário da República.. “A Direção de Informação está preocupada pela repetição de casos deste tipo, num contexto em que a Lusa realiza o seu trabalho jornalístico, pautado pelo rigor, isenção e independência.. O jornalismo é uma
profissão que só pode ser exercida em liberdade”, conclui a Lusa.. Há cerca de um mês, a Lusa viu-se envolvida num outro caso, quando a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, disse ter tirado a confiança a um jornalista da agência.. Ao Expresso, fonte oficial da Câmara de Gaia disse que a autarquia não comenta o comunicado da Lusa.
Câmara de Gaia, Lusa, concursos públicos, jornalismo, Vila Nova de Gaia, conflito, administração pública