Ancelotti diz: Raphinha não substitui Rodrygo no Brasil
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Ancelotti diz – Carlo Ancelotti explicou que Raphinha pode ocupar uma função central contra o Egito, mas deixou claro que não é uma troca direta para Rodrygo. A mudança veio depois das lesões nos atacantes pelos lados, e o treinador detalhou as diferenças: Raphinha ataca a pr
A Seleção entrou em campo com uma formação que parecia encaixar no automatismo — e. ainda assim. o problema vinha antes do apito inicial. Entre outubro e novembro do ano passado. com Carlo Ancelotti no comando. o time tinha um quarteto ofensivo desenhado com movimentação constante: Rodrygo de ponta esquerda. Estêvão na direita e Matheus Cunha e Vinicius Júnior por dentro. Raphinha. naquele momento. estava lesionado — e a dúvida era direta: como o jogador do Barcelona entraria no funcionamento do ataque.
O que aconteceu depois mudou o cenário por completo. Graves lesões nos dois atacantes pelos lados — ambos fora da Copa do Mundo — abriram espaço para que o “encaixe” se resolvesse com Raphinha. Em teoria, ele entrou na vaga do Rayo que flutuava e às vezes parecia um camisa 10. O detalhe, porém, é que as características dos dois são muito distintas. E Ancelotti deixou isso explícito ao analisar Raphinha após a partida contra o Panamá.
Na vitória em amistoso no último domingo (31), o camisa 11 atuou por 45 minutos como falso nove. Ele flutuou. buscou espaço e deu opção na entrada da área. mas também apareceu próximo dos zagueiros adversários. Em alguns momentos, esse posicionamento por dentro ganhou apoio de Matheus Cunha, que ajudava a formar uma dupla de ataque.
Raphinha acabou sem brilho no jogo. mas Ancelotti não tratou o desempenho como algo simples de explicar por si só. O problema do primeiro tempo. segundo a leitura do que ocorreu em campo. esteve no fraco jogo coletivo da Seleção: os panamenhos igualaram a posse de bola. tiveram quase o mesmo número de finalizações e incomodaram com longos períodos de controle.
Foi depois desse quadro que o técnico italiano descreveu onde Raphinha pode render mais. Ele apontou a velocidade nos ataques às costas da última linha defensiva e tratou isso como o elemento que separa Raphinha de Rodrygo.
— É difícil dizer [a melhor posição de Raphinha]. Obviamente ele não é centroavante, e nem peço para jogar de centroavante. Peço para estar perto da linha de defesa. porque. no aspecto de atacar a profundidade. ele é o melhor do mundo. Creio que o mais perto da linha de defesa para atacar atrás é o mais importante. Mas eu nunca vou dizer ao Raphinha onde ele deve jogar quando temos a bola. Ele deve ter sua qualidade e sua criatividade para buscar a posição correta.
Mesmo admitindo que Raphinha pode atuar como jogador associativo por dentro — algo que ele faz no Barcelona atuando como ponta pelos dois lados e até como camisa 10 —. Ancelotti recolocou o foco no que considera o “melhor” do atleta: a incisividade em jogadas em velocidade. E há números que sustentam a confiança. Raphinha marcou 55 gols nas últimas duas temporadas na Catalunha.
O contraste com Rodrygo, então, fica nítido. Para Ancelotti, Raphinha não é simplesmente “o atacante que faz o mesmo por outro nome”. Rodrygo. por outro lado. tem um perfil diferente: ele poderia atuar como meia pela qualidade no passe curto e pela forma como se movimenta para receber de volta. Com o técnico italiano na Seleção. Rodrygo ocupava a ponta esquerda — mas. na prática. flutuava para dentro. aparecia do outro lado e era uma opção constante na entrada da área. raramente dentro dela.
Essa diferença ajuda a explicar por que a troca direta é difícil. O encaixe que Raphinha faz tende a priorizar profundidade e velocidade. O que Rodrygo oferecia com seu tipo de chegada e seu jeito de trabalhar a bola em proximidade com a meia-linha tem outra assinatura.
O plano para o próximo jogo já começa a tomar forma. Raphinha provavelmente fará a função centralizada na partida contra o Egito no próximo sábado (6). A novidade surgiu no segundo treino nos Estados Unidos nesta quarta-feira (3): Ancelotti fez cinco mudanças em comparação ao time que entrou contra o Panamá e colocou Igor Thiago para ser o camisa 9. Com isso, o camisa 11 atuará como meia atrás do centroavante. Lucas Paquetá sairá da ponta direita para entrar por dentro com as subidas de Wesley. e Vinicius Júnior ficará na esquerda.
Ancelotti também não trata a ideia como algo inédito. A função de Raphinha como meia com ele no comando já aconteceu. Foi na vitória sobre o Chile pelas Eliminatórias Sul-Americanas em setembro passado — o primeiro grande jogo com o treinador que assumiu em junho de 2025. Naquele momento, Raphinha teve atuação relevante como articulador e ainda criou finalizações na área. Para o técnico. a expectativa é que exista um nível semelhante para que a Seleção não sinta falta de Rodrygo.
Com essa estrutura. o que define o debate não é só quem joga. mas o que cada jogador entrega quando a bola chega no último terço. E no recado de Ancelotti, o recado foi direto: Raphinha pode assumir o papel que o momento exige. Mas não é o substituto ideal de Rodrygo no funcionamento ofensivo — porque. no ataque. os caminhos que eles abrem são diferentes.
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