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Vale de Cavalos: 100 dias sem comunicações

Na freguesia de Vale de Cavalos, os moradores ultrapassaram 100 dias sem telecomunicações, após a tempestade Kristin, com faturas a chegar.

Uma localidade ficou em silêncio há mais de três meses: Vale de Cavalos conta, esta segunda-feira, 100 dias sem comunicações.

Em causa está o impacto da tempestade Kristin, que varreu Portugal quase de Norte a Sul e deixou o distrito de Santarém entre os mais atingidos.. Na freguesia de Vale de Cavalos, no concelho da Chamusca, há ainda mais de 70 pessoas que aguardam a reposição dos serviços de telecomunicações que tinham contratados.

Segundo a presidente da Junta de Freguesia, Joana Gonçalves, persistem seis postes da operadora MEO caídos, sem reparação. A autarca aponta que, após contactos formais, a indicação dada pela própria MEO apontava para que o problema estivesse resolvido a 10 de março, mas isso não aconteceu.

Neste caso, os efeitos não se limitam ao desconforto de ficar sem internet ou chamadas: há também o impacto diário na segurança e no acompanhamento da vida das famílias, sobretudo quando faltam redes fiáveis.. E, quando o serviço falha, a administração e a fiscalização do que é devido tornam-se ainda mais importantes.

A autarca tem feito diligências junto de várias entidades. Contactou a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), que terá respondido garantindo que não existia nenhuma avaria reportada pela MEO. Joana Gonçalves refere ainda que tentou também falar com a DECO, mas não obteve retorno.

Com a operadora, diz ter conseguido sobretudo prazos para a resolução que foram sendo ultrapassados.. Entretanto, a Junta está a procurar junto de outras operadoras a instalação de infraestrutura de fibra ótica na freguesia, numa tentativa de garantir uma solução que não fique presa a promessas de datas.

Para além do problema técnico, já houve consequências práticas. Os postes caídos e os fios soltos terão estado na origem de um acidente de viação, depois de um veículo pesado ter ficado enrolado nos cabos e se ter despistado.

O episódio prolongou-se com mais um elemento que os moradores consideram injusto: apesar de o serviço não funcionar, as faturas continuam a chegar, com os valores como se a ligação estivesse disponível.. Ana Monteiro, residente na Caniceira, afirma que em abril recebeu uma fatura de 116 euros e que, nesse valor, foram incluídos serviços e um telefone portátil que diz não fazer parte do seu contrato.

De acordo com a moradora, tenta falar com a empresa semanalmente e recebeu prazos que acabaram por não produzir efeito, incluindo o último apontado para 10 de abril.. A alternativa sugerida, na maioria dos casos, passa pelo encaminhamento para um serviço de satélite, tecnologia que Ana Monteiro descreve como “praticamente obsoleta” e com sinal muito fraco na localidade.

No terreno, o serviço acabou por se tornar uma questão de solidariedade.. A moradora relata que durante o dia alguns recorrem aos vizinhos, mas à noite ficam sem cobertura, enquanto a freguesia tem pessoas idosas que dependem da televisão como forma de companhia e informação.. Há ainda uma componente de risco: os serviços de telemóvel também estariam com pouca ou nenhuma rede, o que pode agravar situações de emergência.. Para a comunidade, o que está em jogo é simples e imediato: comunicações que funcionem, sem atrasos e sem cobranças por serviços que não são prestados.

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