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Quando a política é uma mascarada: reflexões sobre o poder

Às vezes, a sensação é de que a política não passa de uma grande mascarada. Entramos numa sala, o cheiro a café velho misturado com o papel impresso de um jornal antigo invade o ambiente, e percebemos que as peças se movem num tabuleiro onde ninguém revela a verdadeira face. De cara tapada, como dizem, cada um é como cada qual — ou talvez nem isso. A política tem destas coisas, uma estranha dança de aparências que o Misryoum tem observado com atenção nestes últimos dias.

Olhamos para o cenário atual e a confusão impera. Temos desde a Bienal de Veneza, onde figuras como José Tolentino Mendonça marcam presença num palco que é, por definição, feito de representação, até às tensões pesadas que vêm lá de fora. É curioso como a geopolítica tenta convencer-nos de que está tudo sob controlo. Os Estados Unidos dizem que as negociações no Médio Oriente são “produtivas”, mas, logo a seguir, negam qualquer pedido de extensão de cessar-fogo. É um vai-e-vem constante, uma negação que quase faz sorrir, se não fosse o custo humano — o peso real de tudo isto que por vezes esquecemos.

E por falar em esquecimentos, a economia continua a ser o grande fantasma. Fala-se em reformas, em poupanças, naquele mantra de que “quanto mais gasta, mais poupa”, uma lógica que soa bem em reuniões de condomínio, mas que na vida real… bem, a vida real é outra coisa, não é? Portugal lá vai navegando com as suas próprias contradições, enquanto o mundo — Rússia, China, Coreia do Norte, Irão — é identificado, pela primeira vez, como uma ameaça quase unificada. É um xadrez perigoso.

Por falar em xadrez, a Arménia tenta afastar-se de Moscovo, uma escolha existencial que cheira a desespero. Ou talvez seja apenas estratégia pura. A Hungria segue o seu rumo, mantendo laços com a energia russa enquanto rejeita a ideia de uma entrada rápida da Ucrânia na União Europeia. São peças que se movem sozinhas, ou talvez não, talvez apenas sigam um guião que ninguém leu até ao fim.

Entretanto, a vida lá fora continua. Morreu Kris Kopke, um nome que talvez muitos já tivessem deixado na prateleira da memória, mas que faz parte daquela pop dos anos 80 que ainda ecoa. Pequenos detalhes de uma realidade que insiste em acontecer enquanto os políticos discutem as suas linhas vermelhas.

No fim de contas, o que nos resta? Talvez a nomeação de uma mulher pela primeira vez para representar a República nos Açores seja um sinal de mudança real — ou apenas outra máscara a ser ajustada. Quem sabe. O certo é que, entre altos e baixos da economia e das tecnologias, continuamos a tentar decifrar quem está, de facto, por trás da máscara.

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