Carlos Vila Nova ausente nas celebrações de Alda Graça Espírito Santo

As celebrações do centenário de Alda Graça Espírito Santo em São Tomé e Príncipe ficaram marcadas pela ausência do Presidente Carlos Vila Nova em sessão que acabaria por ser cancelada.
A ausência do Presidente Carlos Vila Nova nas celebrações do centenário de Alda Graça Espírito Santo chamou atenção num momento pensado para homenagear uma das figuras maiores do nacionalismo são-tomense.
A poetisa e professora, cuja obra acompanha gerações desde o período posterior à independência, é lembrada em abril, mês da cultura, por ter nascido a 30 de abril de 1926.. O hino nacional, entoado em momentos solenes, foi escrito por Alda do Espírito Santo, que faleceu em março de 2010.. Em torno do seu legado, a sociedade civil tem tentado reforçar memória e impacto educativo.
No ano passado, foi realizada a primeira conferência nacional dedicada a Alda Graça Espírito Santo, reunindo testemunhos e reflexões sobre o que o seu legado pode representar para a reconstrução do país.. Misryoum destaca que nacionalistas são-tomenses participaram no encontro, contribuindo com lembranças sobre a trajetória e a influência da poetisa.
Neste contexto, a decisão de não fazer chegar o tributo ao centro institucional gerou debate, sobretudo quando a agenda pública já tinha sido divulgada para uma sessão solene.
Para 2026, o programa oficial de celebrações do centenário colocava o Presidente Carlos Vila Nova no topo da lista de autoridades nacionais previstas para participar numa sessão solene na Assembleia Nacional, no dia 30 de abril.. As atividades foram acompanhadas com atenção pelos meios de comunicação social, à medida que os avisos sobre a sessão circulavam.
De forma súbita, porém, tudo foi cancelado.. Segundo informações que circularam, o Presidente da Assembleia Nacional, Abnildo Oliveira, e o vice-Presidente, Arlindo Barbosa, ausentaram-se do país; a ministra da educação e cultura, Isabel de Abreu, também teria ficado fora, ficando assim o Chefe de Estado sem condições de marcar presença numa sessão parlamentar que já não iria acontecer.
Esta cadeia de ausências e cancelamentos mostra como, em momentos simbólicos, a organização logística pode alterar o alcance de um ato político-cultural.
Téla Nón considera que, enquanto Presidente da República e Chefe de Estado, Carlos Vila Nova deveria homenagear Alda Graça Espírito Santo “num outro palco”, mesmo com a sessão parlamentar retirada da agenda.. A proposta passa, por exemplo, por iniciativas como “Alda nas Escolas”, onde seriam lançadas novas sementes para perpetuar o legado nacionalista são-tomense.
No fundo, Misryoum aponta que a discussão não se limita à ausência numa data, mas ao tipo de presença institucional que a memória histórica merece.. Se o centenário é um marco, a forma como a homenagem é conduzida acaba por influenciar a perceção coletiva sobre a continuidade do legado de Alda do Espírito Santo.