Presença do crime organizado afeta 41,2% dos brasileiros
Levantamento indica que quase metade da população brasileira convive com milícias e fações, que expandem influência para cidades menores e alteram o cotidiano.
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que 41,2% dos brasileiros afirmam reconhecer a presença de fações criminosas ou milícias na freguesia onde moram.. Segundo o relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgado no domingo, a presença do crime organizado “não apenas amplia a vitimização, mas interfere nas regras de convivência, altera sociabilidades e restringe a confiança nas instituições”.. A pesquisa indica que cerca de 68,7 milhões de
pessoas convivem diretamente com o poder territorial exercido por essas organizações criminosas.. Destaca ainda que, embora a perceção da presença das fações seja maior nas capitais e nos grandes centros urbanos, a expansão dos grupos criminosos “passou a operar por difusão territorial, capilarização e interiorização”.. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fações como o Comando Vermelho, nascida no Rio de Janeiro, e Primeiro Comando da Capital (PCC), nascida em São Paulo, expandiram a sua
atuação na última década para cidades médias e pequenas.. Para essa expansão, valem-se de “rotas logísticas, alianças com grupos locais, dinâmicas prisionais e inserção em mercados ilícitos e lícitos”, observa a organização não-governamental (ONG) no relatório.. “Esse resultado reforça a ideia de que a circulação da violência armada não obedece a uma hierarquia simples de porte urbano: ela é forte nas grandes cidades, mas também alcança com intensidade cidades médias-grandes e, em certa medida, municípios
pequenos”, frisou.. Encomendada pela ONG, a pesquisa foi realizada pelo Instituto Datafolha com pessoas de 16 anos ou mais, em 09 e 10 de março, em 137 cidades, com 2.004 entrevistas presenciais e margem de erro de dois pontos percentuais.. A maioria dos entrevistados que reconhecem a presença dos grupos criminosos nas suas freguesias, ou seja, 61,4%, reconhecem que a atuação das fações não é invisível.. Essa percentagem representa “cerca de 42,2 milhões de pessoas
vivendo em contextos nos quais o crime organizado é percebido como força que regula a vida local”, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.. A pesquisa também mostrou que o medo da violência altera a rotina de 57% dos inquiridos e afeta mais intensamente mulheres e população de baixo rendimento, as chamadas classes D e E.. A pesquisa identificou ainda que 59,6% dos brasileiros inquiridos afirmaram ter medo de sofrer agressão física por suas escolhas
políticas ou partidárias, o que representa seis em cada dez pessoas e aproximadamente 99,4 milhões da população.. O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o medo de ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária, que era de 68% em 2022, agora é de quase 60%.. A organização não governamental destaca que os resultados de 2026 parecem indicar que não se está perante “uma dissipação do medo”, uma vez que os
índices “permanecem muito elevados”, mas “sim para uma acomodação em patamar elevado do medo da violência, depois de um momento excepcionalmente tensionado em 2022”.. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela ainda que 40,1% dos entrevistados afirmaram ter sofrido pelo menos uma situação de violência ou crime nos últimos 12 meses no país.. Segundo o estudo, “a insegurança, no Brasil, ultrapassa a condição de percepção episódica e assume a forma de um clima social persistente”.
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