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1º de Maio: UGT critica pacote laboral que “retira direitos”

A UGT, nas comemorações do 1º de Maio, diz que o pacote laboral “retira direitos”, mas garante que continua nas negociações.

Num 1º de Maio marcado pela discussão do pacote laboral, a UGT deixou um aviso claro: há propostas que, na perspetiva do sindicato, “retiram direitos aos trabalhadores”.. Em declarações no Jamor, o secretário-geral da central, Mário Mourão, afirmou que o tema é uma ameaça permanente caso o pacote avance no Parlamento e se mantenham “as mesmas traves mestras” do Governo.

Mourão sustentou que as negociações não pararam, apesar das críticas. Referiu-se à reunião prevista para 7 de maio e disse que a UGT já tem propostas preparadas, sublinhando que as ideias foram apresentadas “em devido tempo”, tanto as do Governo como as dos parceiros sociais.

Há uma diferença entre negociar e “impor”, defendeu o dirigente, deixando entender que a linha vermelha passa pela forma como o processo é conduzido.

No mesmo dia, o discurso foi também um recado à posição governamental.. Mário Mourão mencionou que, na prática, aquilo que está “em cima da mesa” são as “traves mestras” que o Governo terá vindo a insistir que não abdicaria.. O sindicato considera que esse núcleo pode limitar a margem de entendimento, mesmo havendo conversas à volta das propostas.

Em paralelo, Mourão deixou a porta aberta ao diálogo, mas com condições.. “Estamos sempre disponíveis, se querem fazer negociação é uma coisa, se querem impor é outra”, resumiu, defendendo que a UGT funciona como uma central de diálogo e que, quando está à mesa, pretende avanços com aproximações entre as partes.

Esta postura importa porque mostra que, mesmo com confronto no conteúdo, a prioridade para a UGT continua a ser a negociação, não a ruptura.

Ao falar sobre o futuro do processo, o secretário-geral garantiu que a central não pretende recuar. “Não vamos desistir, vamos continuar sentados à mesa”, disse, acrescentando que quem quiser “romper” terá de assumir essa decisão no próprio processo negocial.

Com o 1º de maio a servir de palco para a pressão política, a mensagem da UGT procura reforçar a ideia de que a proteção dos trabalhadores continua a ser o critério principal na avaliação do pacote laboral.. E, até à reunião de 7 de maio, o foco parece manter-se na distância entre as propostas e o que o Governo não quer alterar.

No fim, fica a ideia de que o diálogo é defendido, mas a confiança não é ilimitada: para a UGT, a forma de negociar pode ser tão determinante quanto o conteúdo em discussão.