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Festa com número 2 celebrou Jorge Costa no Dragão

No FC Porto, o campeonato ficou marcado por homenagens a Jorge Costa e uma noite que começou com o número 2 e terminou em festa no Coreto do Dragão.

O Estádio do Dragão transformou-se numa memória viva quando as luzes se apagaram e o número 2 ganhou um significado maior do que a simples lembrança de camisolas e bandeiras.

Desde a manhã, e sobretudo ao almoço e ao longo da tarde, muitos adeptos percorreram as ruas do Porto já com sinais claros de celebração.. Em quase tudo o que levavam consigo surgia um único número: o 2, associado a Jorge Costa, figura central do sábado que acabou por coroar os dragões como campeões nacionais.

O que aconteceu depois do apito final mostrou como a ideia de “estar presente” foi mais longe do que o jogo: virou cerimónia e reconhecimento coletivo.

Pouco antes de a homenagem começar, já havia nas bancadas uma tarja com a mensagem “voltámos a ter uma equipa, mister”, numa referência ao que Jorge Costa terá dito ao treinador Francesco Farioli aquando da apresentação aos sócios contra o Atl.. Madrid.. Quando o espetáculo chegou ao seu momento mais solene, as luzes apagaram-se e as únicas referências visíveis eram as lanternas de telemóveis.

Numa leitura que os presentes sentiram como intencional, foi passado um vídeo com momentos marcantes de Jorge Costa como jogador e dirigente do FC Porto.. Em seguida, uma bandeira iluminada desceu até ao relvado e foi entregue a André Villas-Boas, enquanto Diogo Costa, Lucho González e André Castro surgiam entre os mais visivelmente emocionados.

Na sequência do tributo, Francesco Farioli foi dos primeiros a associar o título à influência de Jorge Costa.. O treinador destacou a força que a equipa encontrou ao longo da época e vinculou detalhes do estilo de Jorge Costa às referências deixadas dentro do campo, reforçando que, apesar de fisicamente não estar presente, estaria “em pensamento”.

Este tipo de homenagem, ligada a palavras e símbolos, importa porque ajuda a explicar o lado humano do desporto: a vitória não fica apenas no resultado, mas também naquilo que a equipa reconhece como identidade.

Quase todos os jogadores acabaram por mencionar Jorge Costa nas declarações que se seguiram.. Diogo Costa voltou a ser um dos mais emocionados, num momento em que usou uma camisola com o nome de Diogo Jota e o 19, número associado ao avançado quando representou o clube.. Já depois, ao receber uma bandeira gigante com o nome de Jorge Costa, falou de uma mistura de tristeza e felicidade e reforçou o sentimento de união entre “um povo diferente”.

Entretanto, no relvado e nas preparações para a festa, surgiram também músicas com ligações à nacionalidade do treinador, num ambiente que foi ganhando dimensão à medida que jogadores, equipa técnica e staff se foram reunindo com as respetivas famílias.

Depois do momento no Estádio do Dragão, a celebração continuou fora de portas.. Muitos adeptos juntaram-se perto do Coreto do Dragão para receberem a equipa, num percurso que só tinha agendado uma passagem pela Câmara Municipal no dia 16 de maio, na Avenida dos Aliados.. Com chuva intensa a dar tréguas durante a madrugada, a concentração começou perto do Alameda Shopping e acabou por preencher a Alameda das Antas, com a festa a prolongar-se para lá de 1h da manhã.

No Coreto, o som de “Pronúncia do Norte”, dos GNR, abriu caminho a uma noite em que ecrãs e ambiente reforçaram a ligação ao 31.º campeonato, com um “31” projetado no relvado do Dragão.. Thiago Silva foi dos primeiros a surgir, seguindo-se outros nomes muito esperados pelos adeptos, enquanto Diogo Costa apareceu mais tarde por causa de um problema técnico e recebeu uma forte ovação.. Mais atrás, Francesco Farioli juntou-se ao grupo com Lucho González também a ser saudado, antes de Farioli passar o microfone a Diogo Costa e a festa terminar ao som do hino do Futebol Clube do Porto pela voz de Maria Amélia Canossa.

No fim, a noite ganhou forma graças a um fio condutor: o número 2. E, mais do que um detalhe visual, acabou por resumir a ideia de que o campeonato foi celebrado com memória, homenagem e sentimento de pertença.