Portugal News

Flexibilizar sem perder o rumo na UE

A Comissão Europeia consulta sobre regras de reporte de sustentabilidade e retira couro e pneus recauchutados do EUDR, mantendo o debate entre competitividade e ambiente.

A Comissão Europeia tem a decorrer uma consulta pública sobre a flexibilização de algumas das regras de reporte de sustentabilidade.. É mais um passo num caminho da desburocratização, iniciado em 2024, quando Mario Draghi apresentou o seu relatório de competitividade a frisar que uma União Europeia pesada não conseguiria competir com a agilidade norte-americana e o colosso de desenvolvimento que é a China.. Um ‘wake-up call’ aprofundado em 2025 pela agenda Omnibus, através da qual

Bruxelas procura pôr em prática essas conclusões e simplificar exigências regulatórias e encargos administrativos sobre as empresas europeias.. Em 2026, estamos em pleno processo de desburocratização, com várias medidas a serem ‘aliviadas” pela Comissão Europeia e a granjear adeptos e críticos desta flexibilização.. Veja-se também o exemplo da chamada Lei da Desflorestação, que tem vindo sucessivamente a ser adiada e a libertar determinados setores destas obrigações de diligencia sobre a origem dos seus produtos e

o impacto que têm na natureza.. A última novidade foi a retirada do couro e dos pneus recauchutados da lista de produtos que deverão respeitar o Regulamento sobre Desflorestação da União Europeia (EUDR, na sigla inglesa), que vai entrar em vigor no final de 2026.. A pergunta é inevitável: estamos perante um pragmatismo necessário ou uma cedência perigosa?. É legítimo ajustar o caminho numa máquina tão complexa, que tem de navegar ao sabor de ventos

geopolíticos agressivos.. O relatório Draghi já alertava para o peso burocrático da regulamentação europeia e para a necessidade de tornar a transição verde mais compatível com competitividade económica.. Esta transição não pode ignorar o custo de vida, o desgaste das empresas, nem o sentimento de que as exigências ambientais recaem sempre sobre os mesmos, leia-se sobre as empresas europeias.. Uma política verde sem apoio social transforma-se rapidamente numa política rejeitada, como vimos aquando das manifestações

dos agricultores europeus que rumaram a Bruxelas.. Mas existe também um risco evidente nesta travagem.. A crise climática não abranda porque a economia europeia desacelera.. Os oceanos estão cada vez mais quentes, a água escasseia, a biodiversidade ressente-se.. Além de que uma Europa que enfraquece a sua ambição verde arrisca-se a perder não apenas liderança internacional nesta matéria, mas também capacidade de inovação e competitividade futura.. A transição sustentável exige equilíbrio.. Ajustar regras pode ser

necessário, mas perder direção estratégica seria um erro que a Europa dificilmente conseguiria corrigir mais tarde.

Comissão Europeia, flexibilização regras sustentabilidade, reporte sustentabilidade, agenda Omnibus, EUDR, Lei da Desflorestação

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Secret Link