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Serena Kaos: entre o medo e a decisão de ser feliz

No centro da conversa com Serena Kaos, o medo aparece — não como um conceito dramático, mas como aquela sombra diária que todos conhecemos. A artista descreve-se como a miúda estranha, uma espécie de outsider moldada por partes iguais de insegurança e imaginação. Curioso pensar que aquela decisão de ser feliz, tomada aos doze anos, ainda lá está. Não é ingenuidade, é teimosia mesmo. Só que agora ela sabe que a felicidade não serve de escudo contra o desconforto.

Depois de passar pelo The Voice, a vida deu uma volta e ela foi parar a Londres. Foi aí que a rua se tornou o seu palco principal. E, honestamente, quem já tocou na rua sabe que aquilo não é romântico como nos filmes — o frio, o barulho dos carros, aquele cheiro a café queimado vindo da esquina… Mas ela diz que foi ali que aconteceu algo decisivo. “Estava a cantar na rua super deprimida. Um senhor veio ter comigo e disse que melhorei o seu dia. Esse momento salvou-me”, conta. É estranho como uma frase de um desconhecido muda tudo, não é? Ou talvez não, talvez seja apenas a necessidade humana de conexão.

Lançar música sozinha é um fardo grande. O controlo criativo é total, claro, mas a conta a pagar é a exaustão, o burnout à espreita. O que fica da conversa com a Misryoum é a imagem de alguém que entende a felicidade como prática, não como destino final. É um movimento constante entre a solidão do quarto e o contacto cru com quem passa.

E depois há o lado do negócio, mudando um pouco de assunto — ou talvez não, talvez a coragem seja o fio condutor aqui. O Tony Gonçalves, que cresceu nos EUA depois de emigrar aos quatro anos, é outro exemplo desse movimento constante. O homem passou por gigantes como a Samsung e a WarnerMedia, sempre a gerir aquele mundo complexo das receitas e do entretenimento. Ele hoje tem a missão de projetar Portugal lá fora com o Grupo Evrose.

É engraçado notar como esses mundos se cruzam. O Tony acabou por ser o produtor executivo do Tribeca Festival Lisboa, que rolou agora em outubro de 2024. É um salto enorme, de Nova Iorque para Lisboa. Ele até lançou um podcast, o ‘The Heart & Hustle of Portugal’, que parece ser a sua forma de tentar agrupar toda esta gente que tem garra, sabe? Pessoas que, tal como a Serena, estão sempre a tentar construir qualquer coisa a partir do nada.

No fim das contas, a arte e o negócio parecem, às vezes, dançar a mesma música. Só mudam os passos. Talvez seja tudo sobre não parar de tentar, mesmo quando o medo aperta. Enfim, é o que temos para hoje.

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