Rolando Semedo em concerto intimista no Centro Cultural Cabo Verde

Rolando Semedo sobe ao palco do CCCV em formato intimista, com Luís Delgado, Djodje Almeida e Mayo. No projeto “Kriolo Sounds”, a entrada vai diretamente ao artista.
Rolando Semedo vai apresentar-se esta [noite] no Centro Cultural Cabo Verde (CCCV), num concerto pensado para chegar perto do público.
A atuação acontece no âmbito do projeto “Kriolo Sounds – Cada Nota, Uma Estória”, do CCCV, que aposta em encontros musicais de pequena dimensão, com plateias limitadas e um clima de proximidade.. No palco, Rolando estará acompanhado pelos músicos Luís Delgado na percussão, Djodje Almeida na guitarra e Mayo no baixo, numa formação que favorece o diálogo entre voz e arranjos.
Natural da Cidade da Praia, Rolando Martins Semedo vive atualmente em Lisboa, onde tem atuado com regularidade no espaço cultural e gastronómico Malandro do Marquês.. O percurso do artista começou cedo: ainda jovem, iniciou-se no saxofone e na guitarra.. Mais do que uma técnica acumulada, esse começo alimenta a forma como hoje constrói os seus temas, com atenção aos detalhes e à ligação entre diferentes tradições.
O repertório explora géneros tradicionais cabo-verdianos que fazem parte do imaginário coletivo, como Morna, Coladeira, Batuku, Funaná e Mazurka.. Para quem acompanha música de Cabo Verde, há nessas escolhas uma leitura clara: não se trata apenas de tocar “várias coisas”, mas de manter acesa uma paleta sonora que atravessa gerações — das melodias mais íntimas às vibrações rítmicas e dançantes.
Ao longo da carreira, Rolando Semedo também esteve no acompanhamento de grandes nomes da música cabo-verdiana e percorreu o mundo como instrumentista.. No caminho, trabalhou com artistas como Bana, Tito Paris, Celina Pereira, Ildo Lobo, Biús, Boy G Mendes, Nancy Vieira e Sara Tavares.. Essa experiência, além de expandir o vocabulário musical, tende a formar uma capacidade rara: adaptar-se a diferentes linguagens mantendo a identidade própria.
O concerto surge num momento particular do trabalho do artista.. Rolando lançou a solo o álbum “Águ”, onde explora estilos com destaque para mornas e coladeiras.. É um disco de cantautor em formato simples — voz e violão — gravado em “one take”, um detalhe que, para o público, costuma significar mais do que estética: sugere intenção e verdade na interpretação, como se a música fosse acontecendo diante de cada audição.
O “Kriolo Sounds” funciona com um modelo que privilegia a relação direta entre o CCCV, o artista e o público.. O projeto existe com a finalidade de apoiar artistas de Cabo Verde e dos restantes países da CPLP e, ao mesmo tempo, dar a conhecer ao público a música desses espaços culturais.. Mensalmente, um artista faz uma apresentação intimista para uma pequena plateia.
Outro elemento que marca o formato é a forma como o valor da entrada é encaminhado.. O artista não recebe cachê; o montante pago pelo público é entregue diretamente a Rolando, sem intermediação de agência ou intervenção de representação.. A participação no “Kriolo Sounds” acontece por convite do CCCV dirigido diretamente ao artista, ou então pela manifestação do próprio junto do centro.
Para o público, este tipo de modelo muda a experiência do “ver música ao vivo”.. Sem o ruído típico do espetáculo grande, a atenção costuma recair na interpretação e no conteúdo, criando um momento mais próximo e, muitas vezes, mais emocional.. E para um artista como Rolando Semedo — que trabalha tradições cabo-verdianas e ao mesmo tempo vive uma ponte constante entre Cabo Verde e Lisboa — a escala do CCCV pode ser decisiva: permite que a morna respire, que a coladeira tenha corpo e que os ritmos encontrem espaço para serem sentidos, não apenas ouvidos.
No fim, o concerto intimista no Centro Cultural Cabo Verde não é apenas mais uma data na agenda de atuações.. É uma forma concreta de colocar a música cabo-verdiana em primeiro plano, com suporte ao artista e uma curadoria orientada para a proximidade — algo que, em tempos de conteúdos acelerados, faz diferença na maneira como as pessoas reparam, escutam e ficam com a canção depois de a sala se esvaziar.