Passos Coelho chama “absurda” à proposta do Chega sobre reformas
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou a proposta do Chega de baixar a idade da reforma e afastou um regresso imediato à política.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho não poupou críticas à estratégia parlamentar do Chega, classificando como “absurda e irrealista” a proposta do partido de baixar a idade da reforma.. Durante uma sessão na Nova SBE, o ex-governante argumentou que nem os socialistas ousariam propor tal medida, considerando que a exigência revela um excesso de populismo que coloca em causa a natureza não socialista da formação liderada por André Ventura.
Esta tomada de posição de Passos Coelho surge num momento em que o atual Governo, liderado pelo PSD, enfrenta dificuldades em consolidar a sua agenda reformista.. O antigo líder social-democrata notou que, apesar de algumas iniciativas positivas, o Executivo tem revelado lentidão na entrega de resultados práticos para o país, mantendo o seu estilo direto e crítico sobre a gestão da coisa pública.
Esta crítica acutilante revela a tensão existente entre as diferentes correntes à direita, sinalizando que a viabilização de propostas governamentais continua a ser um terreno de negociação instável e marcado por divergências fundamentais sobre a sustentabilidade do Estado.
Sobre o seu próprio futuro, Passos Coelho garantiu que não está à procura de novos cargos políticos.. Recordou, com ironia, episódios passados em que o seu nome e o de Carlos Moedas eram ventilados como alternativas à liderança de Luís Montenegro, aconselhando os atuais dirigentes a focarem-se na competência como forma de evitar especulações sobre o seu eventual regresso.
Ao ser confrontado com a possibilidade de chefiar novamente um governo, o antigo primeiro-ministro admitiu que saberia o que fazer, embora tenha ressalvado que o país mudou drasticamente desde 2015.. Reforçou que um eventual regresso seu seria apenas o sinal de que todas as outras opções falharam, o que classificou como um cenário indesejável para a saúde política nacional.
Passos Coelho não se ficou apenas pela política partidária e aproveitou a ocasião para deixar alertas sobre temas estruturais.. Manifestou preocupação com a sustentabilidade da Segurança Social e com o modelo de integração de imigrantes, que descreveu como precário, além de ter criticado o atual modelo de IRS jovem, considerando-o iníquo para as gerações futuras.
A desilusão com o sistema político ficou patente quando afirmou conhecer bem a natureza do poder, caracterizando muitos dos que hoje ocupam cargos de relevo como figuras mais preocupadas com a gestão do quotidiano e a manutenção de influências do que com reformas profundas.. Para o ex-governante, a mudança real terá de vir de uma tomada de consciência da própria sociedade civil.
O debate aberto pelo antigo primeiro-ministro reforça a importância de discutir a sustentabilidade do Estado Social sem recorrer a expedientes populistas, mesmo que isso signifique confrontar aliados parlamentares ou correntes dentro do próprio espetro político.