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Nhô São Filipe/Fogo: crianças visitam Casa das Bandeiras e aprendem tradições

Na quarta edição, jardins infantis de São Filipe visitaram a Casa das Bandeiras para conhecer símbolos e tradições. A iniciativa reforça a continuidade cultural desde cedo, com participação de tambores e aprendizagem coletiva.

Cultura também se aprende com os olhos e com o corpo. Em São Filipe, a Casa das Bandeiras voltou a ser ponto de encontro para jardins infantis.

A iniciativa, promovida pela Casa das Bandeiras em parceria com a Câmara Municipal de São Filipe, reuniu crianças de vários jardins infantis para reforçar a valorização da cultura local junto das novas gerações.. A ação, já na quarta edição, procura despertar, desde cedo, o interesse e a compreensão das festividades tradicionais do município, através de atividades que aproximam os mais pequenos da identidade são-filipense.

O encontro teve um significado particular para Valdomiro Dias, reconhecido tamboreiro das festas de São Filipe.. Para ele, participar neste tipo de momentos é mais do que uma atividade: é uma forma de ver o que aprendeu quando era criança a ganhar continuidade na vida de outras crianças.. “Para mim é uma grande satisfação porque eu era menino e agora tenho menino.. É dentro de aluno que nasce um coladeira ou também tamboreiro”, afirmou, sublinhando a ideia de que o legado das tradições nasce e se mantém com transmissão geracional.

Para muitas crianças, a visita representa o primeiro contacto com símbolos que ajudam a moldar a identidade cultural de São Filipe.. Nestes espaços, a cultura deixa de ser algo distante e passa a ser experiência: uma aprendizagem que combina observação, curiosidade e, sobretudo, valores passados de forma prática.. A Casa das Bandeiras funciona, assim, como ambiente de mediação cultural, onde a tradição é apresentada às crianças de modo acessível, sem perder a ligação ao seu sentido original.

Maria Fernandes, ao abordar a importância de iniciativas deste género, apontou para uma preocupação partilhada por muitos: a ideia de que a cultura estaria a perder força.. Na sua perspetiva, manter este foco é essencial para que as crianças cresçam num ritmo em que as tradições continuem presentes no quotidiano.. “Dizem que a cultura está a morrer.. Então, espero que continuem com este foco, porque, assim, as crianças vão crescer neste ritmo de cultura, para progredir”, disse, defendendo que a continuidade depende de ações regulares e bem direcionadas.

A organização considera que a preservação das tradições não acontece por acaso.. Precisa de estímulos, oportunidades de participação e momentos que criem ligação emocional com o que se celebra.. Ao reunir vários jardins infantis, o encontro amplia o alcance da iniciativa e reforça a sensação de comunidade, onde o aprendizado cultural é coletivo e não fica confinado a um único grupo.

Participaram no encontro jardins infantis como Passarinho Azul, Santa Clara, Flores de São Filipe, Primeiros Passos e Capelinha.. A diversidade de participantes mostra que a iniciativa tem também um efeito de mobilização local: cada escola infantil leva consigo a experiência e, com isso, ajuda a criar uma rede de referências comuns entre famílias, educadores e crianças.

Há também um lado prático que se sente no futuro.. Quando os símbolos e as tradições entram cedo na vida das crianças, há maior probabilidade de elas manterem interesse ao longo dos anos, seja como espectadoras, seja como participantes ativos nas festividades.. No longo prazo, iniciativas como esta tendem a reduzir a distância entre gerações e a garantir que a cultura local não fica apenas guardada em memória, mas continua a ser vivida.

Num município onde as festividades tradicionais fazem parte da identidade, a aposta na educação cultural em idade pré-escolar funciona como investimento contínuo.. Ao manter a quarta edição em marcha, Misryoum nota que o compromisso com a transmissão não é pontual: é um percurso que se quer consolidar, para que a cultura de São Filipe siga, de forma natural, a ganhar espaço na vida das novas gerações.