Mowly lança plataforma de IA jurídica com controlo dos advogados

A Mowly apresenta uma plataforma de IA jurídica feita para profissionais em Portugal e além-fronteiras, com personalização, integrações e foco no controlo do advogado.
A Mowly, legaltech nascida em Portugal, apresentou uma plataforma de Inteligência Artificial (IA) jurídica com uma proposta diferente no setor: o controlo do trabalho mantém-se nas mãos do advogado.
O projeto foi desenvolvido de raiz por Miguel Fidalgo e Francisco Costa, juntando cerca de 15 especialistas de áreas jurídicas distintas.. A empresa tem vindo a consolidar-se com acordos junto de escritórios, departamentos jurídicos e profissionais em prática individual, enquanto decorrem projetos-piloto com escritórios de maior dimensão.. A expansão já contempla mercados como Espanha, Brasil e Macau, numa estratégia que procura testar a tecnologia em contextos variados.
A principal distinção face a muitas soluções existentes está no “paradigma” escolhido.. Em vez de colocar a IA no centro da decisão, a Mowly defende uma inversão do modelo: a ferramenta apoia, organiza e produz informação, mas o utilizador define o modo como a IA analisa, estrutura e comunica resultados.. Na prática, a plataforma permite personalização em linguagem, profundidade e lógica de raciocínio, para se aproximar do modus operandi de cada profissional — e não de uma abordagem única e genérica.
No núcleo da tecnologia está uma base de dados construída a partir de mais de dez fontes jurídicas em Portugal.. A plataforma incorpora legislação, jurisprudência e doutrina, com o objetivo de sustentar as análises e as respostas geradas.. A empresa refere níveis de precisão na ordem dos 95% e aponta para ganhos de eficiência até 80% no tempo dedicado a tarefas legais, sobretudo as mais repetitivas ou morosas.
Há também uma camada de integração pensada para o dia a dia.. A Mowly foi desenhada para conversar com ferramentas comuns no trabalho jurídico, incluindo Microsoft Word e Outlook.. Para muitos profissionais, este detalhe importa tanto quanto a tecnologia em si: quando a IA encaixa no fluxo já existente, a adoção tende a ser mais rápida e menos disruptiva.
Entre as funcionalidades referidas estão transcrição de audiências, traduções em mais de 100 línguas, anonimização de dados sensíveis e análise massiva de contratos.. O objetivo destas capacidades é acelerar tarefas que, frequentemente, são externalizadas ou consumem horas, como a identificação de riscos, prazos e cláusulas críticas.. Segundo a empresa, atividades desse tipo podem ser executadas em segundos, deixando ao advogado o papel de validar, orientar e decidir o rumo do trabalho.
A experiência é reforçada por um desenvolvimento contínuo, com novas funcionalidades lançadas mensalmente.. Um dos exemplos apresentados é uma calculadora de prazos que permite determinar datas com rigor e criar alertas automáticos integrados no calendário e no email do utilizador.. Numa área em que um atraso pode gerar consequências relevantes, a passagem de um cálculo manual para um sistema com alertas é uma mudança prática, mesmo quando o processo legal continua a ser responsabilidade do profissional.
O foco em controlo fica também explícito na forma como os fundadores descrevem a finalidade da IA.. Francisco Costa sublinha que a utilidade não depende apenas da quantidade de dados, mas da qualidade do tratamento, estruturação e contextualização.. Miguel Fidalgo reforça a ideia de que o diferencial não é só ter acesso à tecnologia, mas sentir que ela funciona como extensão do conhecimento do advogado, sem substituir o julgamento humano.
Há ainda trabalho em workflows automatizados, desenvolvidos em parceria com especialistas e direcionados para tarefas complexas como due diligence e emissão de pareceres jurídicos.. Esta abordagem tenta resolver um problema recorrente nas legaltech: transformar capacidades “soltas” em processos úteis, com etapas claras e papel definido para quem assina e assume a responsabilidade.
Do ponto de vista regulatório e de confiança, a empresa afirma ter concebido a plataforma segundo princípios de “Safety by Design”.. A promessa passa por conformidade com o enquadramento legal da IA e proteção de dados.. Joana Cunha de Miranda, Head of Legal da Mowly, garante que a plataforma é “GDPR compliant”, com dados dos clientes protegidos e não utilizados para treinar modelos.
Para o mercado, a mensagem é clara: a disputa não se trava apenas pela capacidade de “responder” mais rápido, mas pela capacidade de ser controlável, auditável e adequado à prática.. Ao posicionar a Mowly como uma legaltech europeia focada em IA confiável, orientada para a decisão jurídica, a empresa tenta responder a uma preocupação crescente entre profissionais e organizações: produtividade sem perda de rigor.. A expansão internacional pode também funcionar como teste de maturidade, mostrando se a personalização e o controlo do advogado resistem quando mudam jurisdições, rotinas e exigências.