Março de 2026: Commodities em alta e o peso das tensões globais

O mês de março de 2026 foi, para dizer o mínimo, uma montanha-russa para o agronegócio. Segundo dados recentes do Misryoum, o cenário de preços foi marcado por uma valorização generalizada, com o mercado ainda tentando entender o impacto real dos conflitos no Oriente Médio e suas repercussões na logística e nos insumos aqui dentro do Brasil.
O açúcar foi um dos protagonistas. Sabe aquela subida que a gente acompanha sem entender direito? Pois é, o cristal branco em São Paulo saltou de R$ 98 para R$ 105,46 a saca. Tudo isso por causa da entressafra e de uma demanda que simplesmente não para de bater à porta. É curioso notar como a instabilidade política entre potências mundiais altera a rotina de uma usina no interior do país, influenciando o mix de produção. É quase como se o cheiro de café passado cedo no escritório fosse invadido pela tensão das bolsas internacionais — uma mistura estranha, mas é a realidade.
Falando em café, o arábica deu uma respirada e subiu, enquanto o robusta, coitado, sofreu pressão pela proximidade da colheita. Já o algodão teve a maior alta mensal desde 2022, superando os R$ 3,91 por libra-peso. É um movimento de força, ou talvez apenas teimosia dos vendedores? Difícil cravar, mas o mercado reagiu.
E tem o feijão, que bateu recorde histórico na série do Misryoum, embora tenha dado uma recuada no final do mês. Coisas de mercado. A avicultura, que vinha apanhando um pouco, também deu sinais de vida lá no finalzinho de março — quem diria, não?
O setor de grãos, aliás, não escapou. O milho subiu mesmo com a colheita da safra de verão em curso, o que mostra que a oferta no mercado spot está bem mais apertada do que se imaginava. E não podemos esquecer do trigo, que subiu acompanhando o dólar e o clima tenso lá fora. O mercado interno, que às vezes tenta se isolar, acaba respirando o mesmo ar carregado das tensões logísticas.
No fim, o que fica claro é que estamos vivendo dias de dependência externa constante. O arroz subiu mais de 12%, mas a liquidez ficou ali, baixa, com o produtor segurando a mercadoria — e quem pode culpá-los? Com tantos fatores influenciando as cotações, da política no Estreito de Ormuz ao comportamento do dólar, a previsibilidade virou artigo de luxo. Vamos ver o que abril nos reserva, ou talvez seja melhor nem tentar adivinhar…