Mozambique News

Resiliência da HCB em 2025 com hidrologia exigente, diz Tomás Matola

Contas de 2025 foram aprovadas e a HCB destaca produção, receitas e recuperação gradual dos níveis de armazenamento na albufeira de Cahora Bassa.

A hidrologia exigente não impediu a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) de manter o rumo: os resultados de 2025, agora aprovados, são apresentados como prova da resiliência da HCB num cenário de seca severa.

Segundo a informação divulgada pela Misryoum, as contas do exercício económico de 2025 foram aprovadas por unanimidade em sessão ordinária da Assembleia Geral, realizada a 30 de Abril de 2026.. Nesse período, a empresa registou uma produção total de 10.921 GWh, num contexto em que a Bacia do Zambeze enfrentou uma das secas mais severas das últimas décadas, afetando os níveis de armazenamento da albufeira e, por arrasto, o plano de produção.

A Misryoum sublinha que, mesmo com limitações hidrológicas, a HCB afirmou ter assegurado o cumprimento dos seus compromissos comerciais, mantendo o fornecimento de energia a entidades do mercado nacional e a parceiros na África Austral.

Este tipo de aprovação das contas, especialmente quando existe um pano de fundo meteorológico difícil, costuma pesar na perceção do desempenho: mostra como a gestão reage quando a água escasseia e a produção depende diretamente desse recurso.

No plano financeiro, a Misryoum refere que a HCB apontou para receitas na ordem dos 344 milhões de dólares e um resultado líquido de 112 milhões de dólares.. O documento associado às contas também indica que, ao longo do ano, a empresa contribuiu com cerca de 300 milhões de dólares para o Estado moçambicano, por via de impostos, taxas e dividendos.

Ainda dentro da estratégia de geração de divisas, a empresa destacou a exportação de energia como elemento relevante para sustentar a robustez da balança de pagamentos.. Em comunicado, o Presidente do Conselho de Administração, Tomás Matola, associou os números a uma gestão prudente dos recursos hídricos e financeiros e reforçou o papel estratégico da HCB para a estabilidade energética.

No capítulo operacional, o ano de 2025 foi marcado por desafios ligados à redução contínua do armazenamento.. No final da época chuvosa 2024/2025, a albufeira situava-se nos 26,01%, mas a empresa refere ter executado um programa de restrição e recuperação, permitindo melhorar os níveis para 27,23% até 31 de Dezembro de 2025.

A Misryoum aponta que, em paralelo, a HCB continuou a investir em manutenção e modernização do sistema electroprodutor.. Entre as iniciativas mencionadas estiveram a reabilitação da Central Sul e da Subestação Conversora do Songo, além de projetos de expansão como a Central Norte e a Central Fotovoltaica, com a indicação de que a intenção passa por reforçar capacidade e diversificar a matriz energética.

Também houve destaque para metas sociais no âmbito das celebrações dos 50 anos da empresa, incluindo a entrega de 3.000 carteiras escolares no Distrito de Cahora Bassa, a apresentação do lançamento da construção do Hospital Distrital e ações ligadas à produção integrada de alimentos em Chitima.. A Misryoum refere ainda a parceria com a Fundação Lurdes Mutola para a criação de um Centro de Alto Rendimento Desportivo.

No fim, as perspetivas para 2026 são descritas como encorajadoras, com recuperação dos níveis de armazenamento para cerca de 56% e uma projeção de aumento da produção para valores acima do planificado.. Para a Misryoum, além do aspeto energético, o dado de 2025 ter sido um ano sem registo de acidentes de trabalho nas áreas de produção reforça o compromisso da empresa com a segurança e a integridade das operações.