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Extrema-direita no poder agrava a crise da habitação na Europa

A crise da habitação na Europa atingiu um ponto crítico, e a ascensão de governos de extrema-direita parece estar a exacerbar este problema social em vez de resolvê-lo. Uma análise detalhada publicada pela Misryoum, apresentada nesta sexta-feira, expõe como a retórica de campanha destes partidos se dissipa assim que chegam ao poder.

## O fracasso das promessas populistas

Embora várias forças políticas de extrema-direita tenham utilizado o custo da habitação como uma bandeira central durante as campanhas eleitorais, a realidade governativa tem demonstrado uma ausência de medidas estruturais. Países como Itália, Hungria e Finlândia, onde estas ideologias ganharam tração, não conseguiram travar a escalada dos preços, que subiram cerca de 60% em toda a União Europeia desde 2015.

O relatório da Misryoum indica que, em vez de investir em habitação pública ou na regulação do mercado de arrendamento, estes governos têm optado por políticas de “preferência nacional” e por uma narrativa de estigmatização das populações mais carenciadas. Na Hungria, sob a égide de Viktor Orban, a estratégia passou pela criminalização da pobreza, empurrando os sem-abrigo para a invisibilidade em vez de garantir soluções de alojamento digno.

A habitação deve ser entendida como um pilar existencial do contrato social. Sem um teto, o acesso ao mercado de trabalho, à educação e ao sistema de saúde torna-se praticamente impossível para o cidadão comum, criando um ciclo de marginalização difícil de romper. Ao ignorar este facto, os governos não estão apenas a falhar na economia; estão a fragilizar a própria coesão das democracias europeias, gerando um ressentimento que alimenta, ironicamente, o ciclo de descontentamento que estas forças políticas exploram.

## Impacto direto nas políticas públicas

O caso italiano sob o governo de Giorgia Meloni serve como um exemplo prático das consequências destas escolhas políticas. O corte de mais de dois mil milhões de euros em programas de renovação urbana não é apenas um ajuste orçamental, mas um sinal político claro de que a habitação acessível deixou de ser uma prioridade do Estado. Esta visão protege um grupo restrito de interesses em detrimento de uma larga maioria que luta para pagar a renda ao final do mês.

Com o horizonte de 2026 e 2027 marcado por eleições decisivas em vários estados-membros, o debate sobre o direito à casa promete intensificar-se. Se a tendência atual for mantida, é provável que a instabilidade social aumente, forçando os eleitores a confrontarem-se com a eficácia real das propostas populistas face às necessidades básicas do quotidiano.

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