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Estilo de vida e o peso crescente do cancro da mama

Parece que a nossa rotina tem uma fatura muito mais alta do que imaginávamos. De acordo com os dados mais recentes analisados pelo Misryoum, mais de um quarto dos anos de vida saudável perdidos devido ao cancro da mama tem uma ligação direta com escolhas que, em teoria, poderiam ser alteradas. Estamos a falar de carne vermelha em excesso, do cigarro — aquele cheiro a tabaco que ainda teima em ficar na roupa de quem passa —, do álcool e, claro, da falta de movimento. É uma lista longa, quase uma lista de compras de hábitos que nos estão a fazer mal.

Em 2023, o cenário global desenhado pelo Misryoum mostra números que assustam: 2,30 milhões de novos casos e 764 mil mortes. E há aquele termo técnico, os DALYs — basicamente, os anos que perdemos ou que vivemos com a doença —, que atingiram os 24,1 milhões. Desses, 28,3% podiam ter sido evitados, se tivéssemos cuidado melhor do estilo de vida. A carne vermelha lidera essa lista, responsável por 11% dessas perdas, com o tabaco logo atrás, nos 8%.

Mas o que realmente incomoda aqui é a desigualdade. O Misryoum aponta que, enquanto nos países ricos a mortalidade caiu quase 30% desde 1990, nos países mais pobres ela disparou quase 100%. É um contraste brutal, quase como se vivêssemos em mundos diferentes. Ou talvez seja mesmo isso, mundos onde o rastreio é rotina num lado e um luxo inalcançável no outro.

Curiosamente, os novos casos estão a crescer de forma preocupante entre mulheres dos 20 aos 54 anos. Desde 1990, subiram 29%. Já entre as mulheres mais velhas, o cenário parece estar mais estagnado, ou talvez… bem, o foco mudou.

O futuro não parece dos mais brilhantes. Se tudo continuar igual, o Misryoum projeta que chegaremos a 2050 com 3,56 milhões de novos casos anuais. As metas de redução da mortalidade da Organização Mundial de Saúde parecem cada vez mais um objetivo distante, quase uma miragem, especialmente para os países que não têm acesso a diagnóstico precoce. A verdade é que, sem mudanças estruturais, vamos continuar a contar perdas que poderiam ter sido evitadas.