Ministro da Economia destaca que solução do BRB é do GDF

Dario Durigan afirmou que o governo federal não deve cobrir prejuízos do BRB e sugeriu uso do Fundo Constitucional do DF como garantia.
A crise do BRB voltou ao centro do debate político após o ministro da Economia, Dario Durigan, indicar que a responsabilidade pela solução do banco não pode ser transferida para o governo federal.
Em entrevista na noite de segunda-feira ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Durigan afirmou que não cabe ao Tesouro Nacional salvar a instituição por meio de aval em empréstimos.. Ele criticou a tentativa de levar a discussão para a esfera federal e disse que o tema deve ser tratado como um problema do governo do Distrito Federal.
No entendimento do ministro, o uso de dinheiro público para cobrir um rombo decorrente de operações associadas ao banco Master não deveria ser conduzido pelo Tesouro.. Durigan também sustentou que o Tesouro só poderia considerar uma atuação diferenciada se houvesse “risco sistêmica” para o ambiente financeiro.
Isso importa porque, ao estabelecer limites para a participação do governo federal, a fala do ministro reposiciona a discussão sobre quem paga a conta e qual mecanismo pode ser acionado para estabilizar o BRB.
Ainda segundo Durigan, uma alternativa aventada envolve o Fundo Constitucional do DF como garantia para empréstimo, desde que a estrutura para enfrentar a crise seja desenhada no âmbito local.. O ministro, porém, não tratou a questão como algo automático, deixando claro que não pretende envolvimento direto do governo federal na resposta.
Do lado do DF, a governadora Celina Leão vem insistindo em apelos para que o governo federal ajude na saída da crise do banco. A governadora pediu oficialmente audiência com o presidente Lula, buscando um encaminhamento que permita ao Tesouro Nacional fornecer aval para um empréstimo ao BRB.
Para o DF, a expectativa é que a resposta federal destrave a capacidade de financiamento e reduza o impacto do problema no sistema financeiro local.. Já para o governo federal, a ênfase está em preservar a responsabilidade orçamentária e exigir justificativas, especialmente quando a atuação depende de garantias públicas.
Na prática, a disputa se dá no terreno político e institucional: o DF busca sinal do Planalto para viabilizar uma solução com aval federal, enquanto o Ministério da Economia sustenta que o caminho deve ser construído sem recorrer ao Tesouro para cobrir prejuízos do banco.
O desfecho dessa etapa pode definir não apenas o formato da assistência financeira, mas também o precedente sobre como crises bancárias regionais devem ser conduzidas daqui para frente.
Em um cenário de pressão por decisões rápidas, a resposta do presidente Lula e o modo como o governo do DF apresentará a proposta tendem a ser decisivos para os próximos passos em direção à estabilização do BRB.