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Comissão Política do PS sem críticos: alvo foi o Governo

A primeira reunião da Comissão Política após o Congresso decorreu sem críticas internas e concentrou-se no Governo, com foco nos atrasos após tempestades.

A nova Comissão Política do PS reuniu-se pela primeira vez depois do Congresso e a agenda ficou longe de autocríticas.

O órgão, que voltou a ficar no centro das atenções, esteve marcado por ausências na estreia após a recusa de Duarte Cordeiro em integrar a Comissão Política.. Ao mesmo tempo, foram discutidas as ausências de outras figuras que, desta vez, não entraram no debate interno logo no arranque.. Nessa primeira leitura, a reunião acabou por não abrir espaço para críticas fora do campo governativo.

Houve até quem, em conversas em torno do encontro, colocasse a dúvida sobre se a ausência de nomes relevantes teria mesmo efeito na contenção das críticas ou se simplesmente era cedo para um confronto.

Nesse contexto, a reunião foi descrita como um encontro “focado para fora”, com a ideia de que, quando assim acontece, é porque “está tudo tranquilo”. E, apesar das suspeitas que costumam surgir quando há desistências e mudanças de composição, Carneiro passou incólume na estreia.

O que dominou foi a crítica ao Governo.. De acordo com a leitura feita no encontro por intervenientes presentes, os atrasos na resposta às populações afetadas pelas tempestades deste inverno estiveram no topo da lista, com destaque para a intervenção do presidente da Câmara de Leiria, que integra o órgão.

A esse fio juntaram-se outras acusações, incluindo a de um alegado tratamento diferenciado entre municípios consoante a cor política.. Gonçalo Lopes foi apontado como particularmente incisivo, repetindo, em tom crítico, a ligação entre a demora nos apoios e a execução limitada do que tinha sido anunciado meses antes.

Neste dia de balanço, Filipe Santos Costa indicou que o PS pretende avançar com um projeto de resolução no Parlamento.. A proposta visa vincular os governos à execução do PTRR, apresentado esta semana, com um horizonte de nove anos, e foi enquadrada internamente como um documento “pouco denso”, descrito como um aproveitamento do que já existia.

Depois, a conversa alargou-se a outras áreas.. Carneiro voltou a apontar a “insensibilidade” atribuída ao primeiro-ministro diante do aumento da inflação, reforçando também críticas à competitividade da economia e às dificuldades na Saúde, onde lembrou uma reforma em curso que, segundo o PS, foi interrompida.

No final da reunião, já com discussões sobre a reforma laboral no horizonte próximo, Filipe Santos Costa respondeu aos jornalistas.. Admitiu-se que o primeiro-ministro tenha deixado a porta aberta ao entendimento de que “o país não acaba” sem a reforma, e essa mudança foi interpretada pelo PS como um recuo que, na avaliação do partido, vai ao encontro da forma como trabalhistas e atores políticos e da concertação social encaram o tema.